segunda-feira, 7 de maio de 2012

Apenas um pouco de Jesus


Apenas um pouco de Jesus

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Por Redação - Em Destaques - 10/mar/2012
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Conta uma parábola pós-moderna que um “crente” chegou ao seu pastor dizendo
que gostaria de comprar “apenas um pouco de Jesus”, o suficiente para lhe
dar um sono tranquilo à noite, mas não o perturbasse com a sorte das
minorias; o suficiente para fazê-lo dormir, mas não o fizesse sofrer com os
miseráveis; apenas o bastante para emocioná-lo, mas não transformá-lo; algo
que lhe desse cura física, mas não cura interior. Ele queria o acolhimento
do “calor de um útero”, mas sem precisar nascer de novo; desejava o
suprimento do pão de cada dia, mas sem a inquietude dos que não têm o que
comer. Ele dizia: “Apenas um pouco de Jesus me bastaria”.
O “crente” queria o suficiente para proteger a sua casa e os seus bens, mas
não o deixasse perplexo com a situação dos que dormiam debaixo das pontes.
Um pouco de Jesus bastaria, o suficiente para lhe abrir as portas do céu,
mas não lhe exigisse abrir os olhos para ver a maldade do seu próprio
coração. E concluiu: “Pastor, por favor, dê-me apenas um pouco de Jesus”.
Infelizmente, como Jesus está sendo reduzido a estereótipos consumistas,
alguns querem “apenas um pouco de Jesus”, não Ele todo; uma relação de
consumo, não de comunhão íntima. Porém, o tanto que alguém terá de Jesus
dependerá sempre do quanto se entregar a Ele.
Acredito piamente que o Evangelho de Cristo é a resposta de Deus ao problema
existencial do ser humano. Creio que o próprio Cristo é a resposta ao enigma
da vida em qualquer área que se pense. Porém, temos presenciado mudanças
substanciais na mensagem cristã que é pregada e vivida hoje: uma mensagem
sem compromisso, utilitária, de consumo, na qual Jesus é reduzido à
categoria de um mordomo celestial das coisas de que precisamos.
Por isso, é fácil deduzir que alguns não querem Jesus, apenas desejam os
benefícios que Ele pode proporcionar. Não o buscam pelo que Ele é, mas pelo
que oferece. O egoísmo fez com que algumas pessoas tirassem Jesus do centro
do Universo, de modo que não o buscam porque de fato o desejam, mas por
entenderem que Ele é imprescindível para a realização de seus projetos
pessoais. Assim, preocupa-me ainda mais que certos “crentes” queiram apenas
um pouco de Jesus, o suficiente para ficarem “de bem com a vida”.
Sem pretensões de sermos “palmatória do mundo”, contudo, precisamos
questionar o modo como certas pessoas tratam as coisas de Deus. Algumas
perguntas honestas exigem respostas coerentes. Que tipo de evangelho
queremos, um que nos deixe com o astral elevado, mas sem custar nada; que
evite falar de sacrifício, renúncia, perdas, mas trate somente do sucesso?
Queremos um evangelho cuja espiritualidade seja indolor e sem sacrifício,
sem nos deixar nenhuma marca? Queremos uma vida inodora, sem o bom cheiro de
Cristo, para não sermos incômodos nem incomodados?
O apóstolo Paulo fez uma das mais bombásticas declarações a respeito de o
Evangelho de Cristo ser pregado, não importando o meio utilizado ou a
motivação do pregador. Ele estava tendo sérios problemas porque certas
pessoas pregavam a Cristo “por discórdia, insinceramente, julgando suscitar
tribulação” às suas cadeias. Outros “proclamavam a Cristo por inveja e
porfia”. Mas Paulo acrescentou que alguns, porém, o faziam motivados pela
“boa vontade, por amor”. Ele indicou, então, que também se regozijava “uma
vez que Cristo, de qualquer modo, está sendo pregado, quer por pretexto,
quer por verdade” (Fp 1.15-18).
O que Paulo afirmara há vinte séculos, ainda carrega um forte componente
profético, pois hoje ocorre a mesmíssima situação. Isto é preocupante, não
somente porque a mensagem do Evangelho está sendo diluída, mas também porque
a própria maneira de vivê-la tem sido maculada. Assim, o modo como pregamos
a Cristo e vivemos a Sua mensagem é comparado a realizar uma obra. O próprio
Paulo ensina: “Deus já pôs Jesus Cristo como o único alicerce, e nenhum
outro pode ser colocado”. Está claro, pois, que Cristo é o centro da
mensagem, não outro.
Ele também fala da qualidade do material: “Alguns usam ouro ou prata ou
pedras preciosas para construírem em cima do alicerce. E ainda outros usam
madeira ou capim ou palha”. Ou seja, algumas vidas e mensagens são preciosas
como o ouro, e outras, pobres como a palha. Mas Paulo acrescenta: “O Dia de
Cristo vai mostrar claramente a qualidade do trabalho de cada um. Se aquilo
que alguém construir em cima do alicerce resistir ao fogo, então o
construtor receberá a recompensa” (1 Co 3.11-16).
Em Março, a Boas Novas comemora “19 anos transmitindo Jesus”, dizendo a todo
o povo que Cristo é a mensagem do Evangelho, para que ninguém se acomode em
querer “apenas um pouco de Jesus”, mas a plenitude da Sua bênção.
Pr Samuel Câmara
Presidente da Rede Boas Novas
E-mail: samuelcamara@boasnovas.tv

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