
| 03 - O ponto de partida da experiência espiritual de Israel. Dt 26,1-11 |
1“Quando tiveres entrado na terra que o Senhor teu Deus te dá por herança e dela tomares posse, estabelecendo-te aí, 2tomarás os primeiros frutos de tudo o que a terra produz, colhidos da terra que o Senhor teu Deus te dá e, pondo-os numa cesta, irás ao lugar que o Senhor teu Deus tiver escolhido para nele fazer morar seu nome. 3Irás apresentar-te ao sacerdote em exercício e lhe dirás: “Reconheço hoje diante do Senhor meu Deus que entrei na terra que o Senhor jurou a nossos pais que nos daría”. 4O sacerdócio receberá de tua mão a cesta, e a colocará diante do altar do Senhor teu Deus. 5Então declararás diante do Senhor teu Deus: “Meu pai era um arameu errante, que desceu ao Egito com um punhado de gente e ali viveu como estrangeiro. Mas ele tornou-se um povo grande, forte e numeroso. 6Então os egípcios nos maltrataram e oprimiram, impondo-nos uma dura escravidão. 7Clamamos então ao Senhor, Deus de nossos pais, e o Senhor ouviu nossa voz e viu nossa opressão, nossa fadiga e nossa angústia; 8o Senhor nos tirou do Egito com mão forte e braço estendido, no meio de grande pavor, com sinais e prodígios, 9e nos introduziu neste lugar, dando-nos esta terra, terra onde corre leite e mel. 10Agora, pois, trago os primeiros frutos da terra que tu me deste, Senhor”.
E depois de depositar os frutos diante do Senhor teu Deus e te prostrarás diante dele. 11Então te alegrarás com o levita e o estrangeiro que mora em teu meio por todos os bens que o Senhor teu Deus te deu a ti e à tua família.
E depois de depositar os frutos diante do Senhor teu Deus e te prostrarás diante dele. 11Então te alegrarás com o levita e o estrangeiro que mora em teu meio por todos os bens que o Senhor teu Deus te deu a ti e à tua família.
Roteiro. Método de Kigali (Ruanda).
Ambientação
Um momento de silêncio e uma oração ou um canto.
Contato com a passagem
- Leitura em voz alta da passagem escolhida.
- Leitura em voz alta da mesma passagem, pela segunda vez.
Manifestação do que mais impressionou cada um.
Observar a passagem
Quais os personagens deste texto? O que cada um está fazendo? Em que cidade podemos situar esta oferenda?
Observar a utilização do ¨Tu¨ neste texto. Quem está falando segundo o autor do Deuteronômio (cf Dt 1,1-3)?
“O livro usa muito a linguagem da personalidade corporativa, ou seja, o modo de falar no qual o grupo todo se incorpora numa pessoa única. Daí na mesma frase aparecer o “Vos”, indicando os israelitas, ao lado do“tu”, que trata Israel como uma pessoa única.” Bíblia da CNBB, p.183. Como se o autor de um livro em vez de dizer “Vocês, os brasileiros”,escrevesse “Tu, o brasileiro”.
Do ponto de visto literário temos dois contextos históricos. Por volta de 620 antes de Cristo, a descoberta da parte mais antiga do Deuteronômio (Dt 12-26) provocou a reforma religiosa do rei Josias (cf 2Rs 22-23). Mas os acontecimentos históricos apresentados estão situados vários séculos antes.
Aproveitar as informações sobre a passagem
Quem gostaria de fazer uma leitura completa sobre as pragas do Egito pode ler em casa, no livro do Êxodo, os capítulos 7 a 12. No encontro bíblico, vamos ler um resumo no Salmo 105,26-38 e no Salmo 78,43-53. Trata-se de várias calamidades naturais que assolaram o Egito. Qual o sentido destes fenômenos para os israelistas?
“Meu pai era um arameu errante, que desceu ao Egito”. Quem é este araméu (cf Gn 25,30)?
Perguntar ao texto
- Qual a mensagem original deste texto para os israelistas?
- Qual a experiência espiritual que está aparecendo nesta tradição?
Atualizar a passagem
- Como esse texto ilumina a minha fé?
- Onde posso procurar a presença e a ação de Deus na história a partir de Jesus?
- Como transmitir hoje essa mensagem?
Conclusão
- Orações inspiradas na passagem
(Ler o texto seguinte em casa)
A experiência espiritual na Bíblia.
O terceiro texto é o conhecido trecho de Dt 26,4-10. Dentro de um marco ritual —que descreve o rito da oferta das primícias —encontra-se um dado inesperado, a saber: os vv. 5-9, que não são oração dirigida ao Senhor, como seria de esperar, mas relato, história em que se fala do Senhor em terceira pessoa. Somente no fim (v. 10a) é que se encontra a fórmula esperada: "E, agora eis que trago as primícias aos frutos do solo que tu me deste, lahweh". O israelita piedoso, ao oferecer as primícias, era convidado a fazer uma profissão de fé, a recitar um credo que consistia no relato de uma historia. Uma história que evidencia a benevolência gratuita de Deus, que guiou seu povo da escravidão para a liberdade, do deserto para a terra. A experiência de Israël será alimentada por esta lembrança, e com esta lembrança deve encontrar a certeza de que a palavra de Deus é fiel.
Em estudo muito interessante, W. Zimmerli analisa a fórmula "e sabeis que eu sou lahweh", particularmente presente em Ez (por exemplo, 7,2-4; 25,3-5; 37,lss), mas igualmente em outras tradições, em contextos diversos, como os chamados proféticos, os textos narrativos, orações e parênesis. É indiscutivelmente uma fórmula que expressa em substância os traços comuns, continuamente reproduzidos, da experiência espiritual de Israel. Ora, a primeira coisa que chama a atenção é que a fórmula aparece sempre no fim de contextos em que se relata a atuação de Deus. O conhecimento do Senhor é precedido de sua ação na história. E mais: não somente o conhecimento de Deus decorre «do encontro com a ação de Deus na história, mas ainda é o fim, a meta, para que tende a ação de Deus. "A ação de Deus não se realiza por causa de si mesma, porém tem como objetivo o homem. Ela deve penetrar no homem, deve movê-lo ao conhecimento de Deus". Aliás, algumas passagens (por exemplo, Jr 23,14, em que a fórmula de conhecimento vem unida a "de todo o coração e de toda a alma") nos adverte que por conhecimento não devemos entender um fato simplesmente intelectual, mas um conhecimento que compreende o homem em sua totalidade. Portanto, "a primeira condição para ter o conhecimento de lahweh é a de que a ação de lahweh o preceda". A Bíblia não dá motivos para pensarmos num conhecimento que, de certa maneira, surgisse da meditação do homem refletindo sobre si mesmo ou da análise do mundo.
Mas aqui é importante um esclarecimento: "As ações de lahweh não têm vida apenas naquela hora determinada em que aconteceram, para depois caírem no esquecimento... A parênese veterotestamentária insiste, vez por outra, no dever de transmitir, juntamente com o relato, este agir de lahweh". A experiência de Israel, histórica, alimenta-se da lembrança e da tradição, e revive principalmente na liturgia. O núcleo-base da experiência de Israel parece-nos assim suficientemente traçado .
Ambientação
Um momento de silêncio e uma oração ou um canto.
Contato com a passagem
- Leitura em voz alta da passagem escolhida.
- Leitura em voz alta da mesma passagem, pela segunda vez.
Manifestação do que mais impressionou cada um.
Observar a passagem
Quais os personagens deste texto? O que cada um está fazendo? Em que cidade podemos situar esta oferenda?
Observar a utilização do ¨Tu¨ neste texto. Quem está falando segundo o autor do Deuteronômio (cf Dt 1,1-3)?
“O livro usa muito a linguagem da personalidade corporativa, ou seja, o modo de falar no qual o grupo todo se incorpora numa pessoa única. Daí na mesma frase aparecer o “Vos”, indicando os israelitas, ao lado do“tu”, que trata Israel como uma pessoa única.” Bíblia da CNBB, p.183. Como se o autor de um livro em vez de dizer “Vocês, os brasileiros”,escrevesse “Tu, o brasileiro”.
Do ponto de visto literário temos dois contextos históricos. Por volta de 620 antes de Cristo, a descoberta da parte mais antiga do Deuteronômio (Dt 12-26) provocou a reforma religiosa do rei Josias (cf 2Rs 22-23). Mas os acontecimentos históricos apresentados estão situados vários séculos antes.
Aproveitar as informações sobre a passagem
Quem gostaria de fazer uma leitura completa sobre as pragas do Egito pode ler em casa, no livro do Êxodo, os capítulos 7 a 12. No encontro bíblico, vamos ler um resumo no Salmo 105,26-38 e no Salmo 78,43-53. Trata-se de várias calamidades naturais que assolaram o Egito. Qual o sentido destes fenômenos para os israelistas?
“Meu pai era um arameu errante, que desceu ao Egito”. Quem é este araméu (cf Gn 25,30)?
Perguntar ao texto
- Qual a mensagem original deste texto para os israelistas?
- Qual a experiência espiritual que está aparecendo nesta tradição?
Atualizar a passagem
- Como esse texto ilumina a minha fé?
- Onde posso procurar a presença e a ação de Deus na história a partir de Jesus?
- Como transmitir hoje essa mensagem?
Conclusão
- Orações inspiradas na passagem
(Ler o texto seguinte em casa)
A experiência espiritual na Bíblia.
O terceiro texto é o conhecido trecho de Dt 26,4-10. Dentro de um marco ritual —que descreve o rito da oferta das primícias —encontra-se um dado inesperado, a saber: os vv. 5-9, que não são oração dirigida ao Senhor, como seria de esperar, mas relato, história em que se fala do Senhor em terceira pessoa. Somente no fim (v. 10a) é que se encontra a fórmula esperada: "E, agora eis que trago as primícias aos frutos do solo que tu me deste, lahweh". O israelita piedoso, ao oferecer as primícias, era convidado a fazer uma profissão de fé, a recitar um credo que consistia no relato de uma historia. Uma história que evidencia a benevolência gratuita de Deus, que guiou seu povo da escravidão para a liberdade, do deserto para a terra. A experiência de Israël será alimentada por esta lembrança, e com esta lembrança deve encontrar a certeza de que a palavra de Deus é fiel.
Em estudo muito interessante, W. Zimmerli analisa a fórmula "e sabeis que eu sou lahweh", particularmente presente em Ez (por exemplo, 7,2-4; 25,3-5; 37,lss), mas igualmente em outras tradições, em contextos diversos, como os chamados proféticos, os textos narrativos, orações e parênesis. É indiscutivelmente uma fórmula que expressa em substância os traços comuns, continuamente reproduzidos, da experiência espiritual de Israel. Ora, a primeira coisa que chama a atenção é que a fórmula aparece sempre no fim de contextos em que se relata a atuação de Deus. O conhecimento do Senhor é precedido de sua ação na história. E mais: não somente o conhecimento de Deus decorre «do encontro com a ação de Deus na história, mas ainda é o fim, a meta, para que tende a ação de Deus. "A ação de Deus não se realiza por causa de si mesma, porém tem como objetivo o homem. Ela deve penetrar no homem, deve movê-lo ao conhecimento de Deus". Aliás, algumas passagens (por exemplo, Jr 23,14, em que a fórmula de conhecimento vem unida a "de todo o coração e de toda a alma") nos adverte que por conhecimento não devemos entender um fato simplesmente intelectual, mas um conhecimento que compreende o homem em sua totalidade. Portanto, "a primeira condição para ter o conhecimento de lahweh é a de que a ação de lahweh o preceda". A Bíblia não dá motivos para pensarmos num conhecimento que, de certa maneira, surgisse da meditação do homem refletindo sobre si mesmo ou da análise do mundo.
Mas aqui é importante um esclarecimento: "As ações de lahweh não têm vida apenas naquela hora determinada em que aconteceram, para depois caírem no esquecimento... A parênese veterotestamentária insiste, vez por outra, no dever de transmitir, juntamente com o relato, este agir de lahweh". A experiência de Israel, histórica, alimenta-se da lembrança e da tradição, e revive principalmente na liturgia. O núcleo-base da experiência de Israel parece-nos assim suficientemente traçado .
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