sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Como É Deus?

Porventura desvendarás os arcanos de Deus?
Jó, 11:7
QUEM é Deus? Como é Ele? Como podemos ter certeza de
que Ele existe? Quando foi que surgiu? Podemos conhecê-Lo?
Todos já fizeram estas perguntas, seja em voz alta, seja para
si mesmos, pois não conseguimos olhar o mundo ao nosso redor
sem nos questionarmos sobre a sua criação. Deparamo-nos dia-adia
com o milagre da vida e o mistério da morte, com a glória das
árvores floridas, a magnificência do céu pontilhado de estrelas, a
imponência das montanhas e do mar. Quem criou tudo isto?
Quem concebeu a lei da gravidade, que mantém tudo em seus
lugares? Quem fez o dia e a noite e a seqüência regular das
estações? E a infinitude do universo? Podemos com honestidade
acreditar, como alguém escreveu, que "Isso é tudo que existe,
existiu e existirá sempre"?
A única resposta possível é que todas estas coisas e muitas
mais são obra de um Criador Supremo. Assim como um relógio
tem um desenhista, nosso universo também teve um Grande
Desenhista. Nós o chamamos de Deus. É um nome com o qual
toda a espécie humana está familiarizada. Desde a mais tenra
infância, nós murmuramos Seu nome. A Bíblia declara que o Deus
de quem falamos, o Deus que louvamos, o Deus "de quem fluem
todas as bênçãos!" é o Deus que criou este mundo e nos colocou
nele. Nossa exploração do espaço seria impossível em um universo
que não fosse regido pelas leis de Deus.
Um homem sábio como Benjamin Franklin afirmou: "Vivo há
muito tempo, e, quanto mais vivo, mais vejo provas convincentes
de que Deus intervém nas questões humanas." Um outro homem
sábio, Blaise Pascal, escreveu: "Se um homem não é feito para
Deus, por que só se sente feliz em Deus? Se o homem é feito para
Deus, por que se opõe a Deus?" Este é o nosso dilema.
Mas "Quem é Ele?", pergunta você. "Onde está Ele?" Sabemos
que Ele existe. Nós O invocamos nas horas de necessidade e
provação. Alguns procuram deixar a presença Dele preencher todos
os momentos da vida. Outros dizem que não acreditam Nele,
que Ele não existe. E ainda outros dizem "Explique-O para mim e
talvez eu O aceite."
Para aqueles que, neste momento crucial da história do mundo,
estão se perguntando "Como é Deus?", já foi afirmado com
simplicidade: Deus é como Jesus Cristo. Da mesma forma que Jesus
veio ao mundo para tornar Deus visível à humanidade e nos
redimir, assim, ao subir aos céus, Ele enviou o Espírito Santo para
habitar os crentes e permitir-lhes viver de modo a tornar Cristo
visível a um mundo descrente.
Se é assim que você se sente, se toda a sua vida você ouviu
falar de Deus e falou de Deus, mas esperou que alguém explicasse
Deus a você antes de depositar sua fé Nele e somente Nele,
vejamos com que exatidão a Bíblia nos fornece uma descrição
concreta.
Como É Deus?
Neste momento crucial da história do mundo, todos deveriam
estar buscando uma resposta à pergunta "Como é Deus?". Todos
deveriam perguntar e todos deveriam ter certeza absoluta da
resposta. Todos deveriam saber, sem sombra de dúvida, com
exatidão, quem é Deus e o que Ele é capaz de realizar. Diz a Bíblia:
"Porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles,
porque Deus lhes manifestou "(Romanos, 1:19).
É a falta do conhecimento de Deus e a recusa do homem de
obedecê-Lo que se encontram na raiz de todos os problemas que
nos afligem. É a confusão do homem sobre os desígnios de Deus,
que mantém o mundo no caos. É a relutância do homem em
aprender a obedecer às leis de Deus que coloca esta pesada carga
em nossas almas. Portanto, vamos aprender tudo o que pudermos
sobre Ele.
Onde devemos procurar este conhecimento? Quem entre nós
pode nos dizer a verdade? Não somos todos aqui criaturas finitas?
Teria Deus designado alguma pessoa aqui na Terra para falar Dele
com autoridade definitiva? Não — o único Homem que poderia
fazer isto viveu há dois mil anos, e nós O crucificamos! Como,
então, podemos descobrir?
Podemos perguntar aos eruditos, e eles talvez nos digam que
Deus é a expressão de tudo na natureza e na vida, que todos os
seres vivos estão integrados em Deus, que a própria vida é uma
expressão da Sua Divindade. Eles lhe dirão que é possível ver Deus
na menor gotícula de água e na imensa abóbada celeste.
Pergunte a um filósofo, e ele lhe dirá que Deus é a força primeira
e imutável na origem de toda criação, que Ele é o Dínamo
Mestre que mantém todos os mundos em movimento — que Ele é a
Força sem princípio nem fim. O filósofo dirá que cada parcela de
vida e beleza que vemos é uma manifestação desta força que flui
do Dínamo em uma corrente interminável, e a ele retorna.
Continue perguntando, e talvez lhe digam que Deus é absoluto,
que Ele é tudo, e que não é possível saber mais nada a Seu respeito.
Existem muitas definições distintas de Deus. O Dr. Akbar
Haqq diz que, originalmente, todas as pessoas tinham uma concepção
monoteísta de Deus. Cada país, cada raça, cada família, cada
indivíduo tem tentado explicar o Ser Supremo na origem do universo.
Homens de todas as épocas tentaram descobrir o Criador, cuja
obra viam, mas a quem não conheciam. Qual destas muitas teorias
devemos aceitar? Por qual destas autoridades que se autonomeiam
devemos nos orientar?
Como já vimos no capítulo anterior, Deus revelou-Se no Livro
chamado Bíblia. Na Bíblia temos uma revelação de Deus — e com
base nela, podemos satisfazer nossas mentes e saciar nossos corações.
Podemos ficar seguros de que temos a resposta certa, de que
estamos a caminho do conhecimento e do entendimento da verdadeira
natureza de Deus.
Deus revela-Se de centenas de formas na Bíblia, e, se a lêssemos
com atenção e regularidade como lemos os jornais diários, estaríamos
tão familiarizados com ela e bem informados a respeito de
Deus, como estamos acerca dos feitos do nosso jogador favorito
durante o campeonato de futebol!
Assim como um diamante tem muitas facetas, existem numerosos
aspectos da revelação de Deus que encheriam muitos
volumes até serem esgotados. Basta dizer que, no espaço limitado
de que dispomos, podemos cobrir quatro aspectos da revelação de
Deus que parecem ser os mais importantes, e que deveríamos
sempre ter em mente.
"Deus É Espírito"
Primeiro: a Bíblia declara que Deus é Espírito. Jesus, dirigindo-
se à mulher no Poço de Sicar, fez esta afirmação direta sobre
Deus: "Deus é espírito" (João, 4:24).
Que pensamento lhe ocorre quando ouve a palavra espírito? Que imagem vem à sua mente? Você pensa num fiapo de fumaça
vagando pelo céu? Será que espírito significa aquelas coisas que
assustam as crianças no Dia das Bruxas? Será que espírito é
apenas um nada informe para você? Acha que seria aquilo que
Jesus exprimiu quando disse "Deus é espírito"?
Para descobrir o que "espírito" é de fato, e o que Jesus quis
dizer quando usou esta palavra específica, devemos nos remontar
à cena na Bíblia em que Cristo diz, após a ressurreição: "Apalpaime
e verificai, porque um espírito não tem carne nem ossos como
vedes que eu tenho" (Lucas, 24:39). Portanto, podemos ter certeza
de que o espírito não tem corpo. Ele é o oposto de corpo. No entanto,
ele tem vida e poder. Isto é difícil de entender, porque o fazemos
com nossas mentes limitadas e finitas.
Como seres humanos privados da visão ilimitada que Deus
antes pretendera que Suas criaturas tivessem, não podemos
compreender a glória e a magnitude do espírito que se encontra tão
distante de nós. Quando ouvimos a palavra "espírito", de imediato
tentamos reduzi-la ao nosso tamanho insignificante, fazê-la
enquadrar-se na esfera de nossas mentes tacanhas. É como tentar
explicar a extensão, a majestade e a grandeza assombrosa do
oceano a uma pessoa que nunca viu uma porção de água maior do
que uma poça de lama! Como pode tal pessoa imaginar a
imensidão do mar? Como pode tal pessoa, olhando uma poça rasa
e escura, imaginar as profundezas impenetráveis, a vida misteriosa,
a força das vagas, o movimento incessante, a crueldade da
tempestade oceânica ou a extraordinária beleza da calmaria? Como
poderia alguém que tivesse visto apenas uma poça de lama saber
do que você estava falando? Que palavras você poderia usar para
descrever com presteza a imensidão do mar? Como poderia fazer
alguém acreditar que tal maravilha existe de fato?
Como é tão mais difícil compreendermos o significado das palavras
de Jesus, quando Ele disse: "Deus é espírito." Jesus sabia!
Sua mente não era limitada como a nossa. Seus olhos não estavam
presos à poça de lama da vida. Conhecia muito bem o alcance infinito
do espírito e veio tentar nos proporcionar alguma compreensão
de Sua capacidade, consolo e paz.Sabemos de fato que o
espírito não é algo confinado em um corpo. O espírito não é usável
como um corpo. O espírito não é mutável como um corpo. A Bíblia
afirma que Deus é um Espírito — que não está limitado ao corpo;
que não está limitado à forma; não está limitado a contornos nem
vínculos; Ele é absolutamente imensurável e indiscernível por
olhos que vêem apenas o mundo físico. A Bíblia nos diz que, por
não estar sujeito a estas limitações, Ele pode estar em todos os
lugares ao mesmo tempo — que Ele pode ouvir tudo, ver tudo e
saber de tudo.
Não somos capazes disto e, assim, tentamos limitar Deus às
nossas limitações. Tentamos negar a Deus o poder de fazer as
coisas
que não podemos fazer. Tentamos dizer que, se não podemos
estar em todos os lugares ao mesmo tempo, Deus também não
pode! Parecemos alguém que, tendo ouvido falar no oceano, enfim
encaminha-se para a praia um dia e, chegando à beira da água,
apanha algumas gotas segurando-as com as mãos em concha.
"Ah," exclama, "enfim consegui ser dono do oceano! Eu o
seguro em minhas mãos, eu o possuo!" Certo, ele possui de fato
uma parte do oceano, mas, naquele mesmo momento, outras pessoas
em mil outras praias podem estar estendendo as mãos e
reivindicando algumas gotas do oceano para si. Milhões de pessoas
no mundo poderiam chegar à praia e estender as mãos para
enchê-las de água do mar. Cada uma poderia apanhar quanta
água quisesse, quanta água necessitasse — e, ainda assim, o
oceano permaneceria inalterado. Sua imensidão e poder seriam os
mesmos, a vida em suas profundezas insondáveis continuaria
inalterada, embora tivesse suprido as necessidades de cada pessoa
que estivesse com as mãos estendidas ao longo de suas muitas
praias.
Assim acontece com Deus. Ele pode estar em todos os lugares
ao mesmo tempo, ouvindo as preces de todos os que O invocam em
nome de Cristo; realizando os portentosos milagres, que fazem com
que as estrelas continuem em seus lugares, as plantas brotem da
terra e os peixes nadem no mar. Não há limite para Deus. Não há
limite para Sua sabedoria. Não há limite para Seu poder. Não há
limite para o Seu amor. Não há limite para Sua misericórdia.
Se esteve tentando limitar Deus — pare! Não tente confinar
Deus nem Suas obras a um único lugar ou esfera. Você não tentaria limitar o oceano. Você não pode limitar o universo. Você
não teria a ousadia de tentar alterar o curso da lua, nem deter a
terra enquanto ela gira em seu eixo! É tão mais tolo ainda tentar
limitar o Deus que criou e controla todas estas maravilhas!
Sou para sempre grato à minha mãe por muitas coisas, mas
uma das bênçãos mais duradouras que ela trouxe à minha vida foi
me ensinar no catecismo, aos dez anos, que "Deus é um Espírito,
infinito, eterno e imutável em Sua natureza, sabedoria, poder,
santidade, justiça, bondade e verdade." Esta definição de Deus me
acompanhou a vida toda, e quando um homem sabe no íntimo que
Deus é um Espírito infinito, eterno e imutável, isto ajuda a vencer
a tentação de querer limitá-Lo. Ajuda a superar todas as dúvidas
sobre Sua capacidade de realizar coisas que não podemos realizar!
Aqueles que duvidam que a Bíblia seja a verdadeira Palavra de
Deus, duvidam porque relutam em atribuir a Deus qualquer coisa
que elas próprias não possam realizar. Se você tem alguma dúvida
sobre a inspiração da Bíblia, volte e torne a olhá-la. Olhe-a da
perspectiva de alguém que esteve fitando uma poça de lama toda a
vida e que, pela primeira vez, está diante do oceano! Talvez só
agora você esteja vislumbrando pela primeira vez o poder ilimitado
de Deus. Talvez só agora você esteja começando a entendê-Lo pelo
que de fato é. Pois se Deus é o Espírito que Jesus declara que é,
não há problema quanto à Sua sabedoria nas questões humanas,
não há problema quanto à inspiração divina dos homens que
escreveram a Bíblia. Tudo se encaixa no lugar, quando você
compreende quem e o que Deus realmente é.
Deus É uma Pessoa
Segundo: a Bíblia revela-O como uma Pessoa. Lemos em toda
a Bíblia: "Deus ama," "Deus diz," "Deus faz". Tudo que atribuímos
a uma pessoa é atribuído a Deus. Uma pessoa é alguém que sente,
pensa, quer, deseja e possui todas as expressões da personalidade.
Aqui na terra, restringimos a personalidade ao corpo. Nossas
mentes finitas não concebem a personalidade que não se manifeste
através de carne e ossos. Sabemos que nossas próprias
personalidades não estarão sempre envoltas pelos corpos que
agora habitam. Sabemos que, na hora da morte, nossas
personalidades deixarão nossos corpos e seguirão para os destinos
que as aguardam. Sabemos tudo isto — no entanto, é difícil aceitar.
Que grande revelação seria, se pudéssemos compreender que
a personalidade não tem que estar identificada com um ser físico.
Deus não está limitado por um corpo, porém é uma Pessoa. Ele
sente, pensa, ama, perdoa, solidariza-se com os problemas e as
dores que enfrentamos.
Deus É Santo e Justo
Terceiro: a Bíblia declara que Deus não é apenas um Espírito
e uma Pessoa, mas também um Ser Santo e Justo. Desde o Gênese
até o Apocalipse, Deus revela-Se um Deus Santo. Ele é
integralmente perfeito e absoluto em todos os detalhes. Ele é santo
demais para tolerar o homem pecador, santo demais para suportar
uma vida de pecado.
Se pudéssemos visualizar a verdadeira imagem de Sua justiça
grandiosa, que diferença haveria em nosso modo de vida como indivíduos
e como nações! Se pudéssemos ao menos compreender o
tremendo abismo que separa o homem iníquo da justiça perfeita de
Deus! As Escrituras declaram que Ele é a Luz na qual não existe
nenhuma escuridão — o único Ser Supremo sem falha nem imperfeição.
Aqui temos de novo um conceito de difícil compreensão para
o homem imperfeito. Nós, cujos defeitos e fraquezas são evidentes
em toda parte, mal podemos imaginar a santidade irresistível de
Deus — mas precisamos reconhecê-la se quisermos entender e
aproveitar a Bíblia.
O abismo que separa o homem imperfeito do Deus perfeito é
enfatizado em todas as Escrituras Sagradas. Podemos vê-lo na
divisão do Tabernáculo do Velho Testamento e do Templo do Novo
Testamento na Terra Santa e na maioria dos lugares Sagrados. Ele
está salientado na prescrição da oferenda que deverá ser trazida
caso um pecador se aproxime de Deus. Está sublinhado por um
sacerdócio especial que serve de mediador entre Deus e as pessoas.
Está enfatizado pelas leis relativas à impureza no Levítico.
Podemos vê-lo nas muitas festas de Israel, pelo isolamento de
Israel na Palestina. A Santidade de Deus regula todos os outros
princípios de Deus.
As Escrituras declaram que Seu trono assenta-se em Sua
santidade. Porque Deus é santo e o homem profano, é que existe
uma distância tão grande entre Deus e o pecador impenitente. A
Bíblia nos diz que nossas iniqüidades nos separam de Deus —
separam-nos tanto que Seu rosto nos é ocultado e Ele não quer
nos ouvir quando chamamos. "Se eu no coração contemplar a
vaidade," diz o salmista, "o Senhor não me teria ouvido" (Salmos,
66:18). Por outro lado, o salmista diz: "Os olhos do Senhor
repousam sobre os justos, e os seus ouvidos estão abertos ao seu
clamor... Ele acode a vontade dos que o temem; atende-lhes ao
clamor e os salva" (Salmos, 34:15; 145:18-19).
Deus é puro demais para considerar o mal com aprovação, o
que significa que Ele é santo demais para ter qualquer ligação com
o pecado. Antes de o pecado se instaurar na espécie humana,
Deus e o homem desfrutavam de boas relações entre si. Agora
essas relações estão rompidas, e toda comunicação entre Deus e o
homem é inviável sem a participação de Jesus Cristo. É somente
através de Jesus Cristo que o homem pode restabelecer suas
relações com Deus. Há quem diga que todos os caminhos levam a
Deus. Porém, Jesus disse: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim" (João, 14:6). Disse também:
"Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim, será salvo; entrará e
sairá e achará pastagem" (João, 10:9).
O homem é pecador, incapaz de alterar sua posição, incapaz
de alcançar o ouvido puro de Deus, a menos que clame com
sinceridade por misericórdia. O homem teria permanecido perdido
para sempre se Deus, em Sua infinita misericórdia, não tivesse
enviado Seu Filho à terra para transpor este abismo.
É na santidade de Deus que encontramos a razão para a
morte de Cristo. Jesus era o único o suficiente bom, o suficiente
puro e o suficiente forte para carregar os pecados do mundo inteiro.
A santidade de Deus exigia a pena mais rigorosa para o pecado, e
Seu amor determinou que Jesus Cristo pagasse esta pena e
oferecesse a salvação. Porque o Deus que adoramos é um Deus
puro, um Deus sagrado, um Deus justo e virtuoso, Ele nos enviou
Seu único Filho para tornar possível o nosso acesso a Ele. Mas se
desprezamos a ajuda que Ele enviou, se deixamos de obedecer às
leis por Ele estabelecidas, não podemos clamar por misericórdia,
quando o castigo que merecemos recair sobre nós!
"Deus É Amor"
Quarto: Deus é Amor. Porém, como acontece com os outros
atributos de Deus, muitas pessoas que não lêem a Bíblia são
incapazes de reconhecer o significado das Escrituras quando dizem:
"Deus é amor" (1 João, 4:8).
Nem sempre temos certeza do que queremos dizer quando
usamos o termo amor. Esta palavra tornou-se uma das mais
amplamente desvirtuadas de nossa língua. Usamos a palavra amor
para descrever as mais desprezíveis, assim como as mais sublimes
relações humanas. Dizemos que "amamos" viajar; "amamos" comer
bolo de chocolate; "amamos" o carro novo ou a padronagem do
papel de parede de nossa casa. Ora, nós até dizemos que
"amamos" nosso próximo — mas a maioria diz por dizer, e aí
termina o amor! Não é de admirar que não tenhamos uma idéia
muito clara do que a Bíblia exprime, quando diz: "Deus é Amor."
Não cometa o erro de pensar que porque Deus é amor, tudo
será bom, belo e feliz, e que ninguém será punido por seus
pecados. A santidade de Deus exige que todo pecado seja punido,
mas o amor de Deus oferece o propósito e o meio de redenção ao
pecador. O amor de Deus forneceu a cruz de Jesus, pela qual o
homem pôde obter o perdão e a purificação. Foi o amor de Deus
que enviou Jesus Cristo para a cruz!
Nunca questione o grande amor de Deus, pois ele é uma
parte tão imutável de Deus quanto a Sua santidade. Por mais
terríveis que sejam seus pecados, Deus o ama. Não fosse pelo amor
de Deus, nenhum de nós jamais teria a perspectiva de uma vida
futura. Porém, Deus é amor! E Seu amor por nós é eterno! "Mas
Deus prova o seu próprio amor para conosco, pelo fato de ter
Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores" (Romanos,
3:8).
As promessas do amor e perdão de Deus são tão reais, tão
certas, tão positivas, quanto podem torná-las as palavras humanas.
Mas ao se descrever o oceano, sua beleza total não pode ser
compreendida até que seja de fato contemplada. O mesmo
acontece com o amor de Deus. Até que você realmente o aceite, até
que realmente o vivencie, até que realmente experimente a
verdadeira paz com Deus, ninguém pode descrever-lhe suas
maravilhas.
O Amor
O amor não é algo que se consiga com a mente. Sua mente
finita não é capaz de abarcar uma coisa tão grande quanto o amor
de Deus. Sua mente talvez tenha dificuldade de explicar como é
que uma vaca preta pode comer capim verde e dar leite branco —
mas você bebe o leite e se sente alimentado. Sua mente não pode
compreender todos os processos intricados que ocorrem, quando
se planta uma sementinha chata que produz uma enorme
herbácea com saborosas melancias vermelhas e verdes — mas você
as come e aprecia! Você não entende o rádio, mas o ouve. Sua
mente não consegue explicar a eletricidade que talvez esteja
gerando a luz sob a qual você lê neste exato momento — mas você
sabe que ela existe e que está tornando possível a sua leitura!
Você tem que receber Deus pela fé — pela fé em Seu Filho,
Nosso Senhor Jesus Cristo. E quando isto acontece, não há lugar
para dúvidas. Não tem que perguntar se Deus está ou não em seu
coração, você pode sabê-lo.
Sempre que alguém me pergunta como posso ter tanta
certeza de quem e o que Deus é de fato, lembro-me da história do
menino que soltava pipa. Era um ótimo dia para soltar pipas, o
vento soprava forte, e grandes nuvens redondas deslocavam-se
pelo céu. A pipa subia cada vez mais alto, até que foi por inteiro
encoberta pelas nuvens.
— Que está fazendo? — perguntou um homem ao menino.
— Estou soltando pipa — respondeu ele.
— Soltando pipa, é? — disse o homem. — Como é que você
tem certeza disso? Não pode ver sua pipa.
— Não — disse o menino —, não estou vendo, mas de vez em
quando sinto um puxão e aí tenho certeza que ela está lá!
Não deixe que ninguém lhe diga onde está Deus. Descubra-O
por si mesmo, e então também saberá por aquele maravilhoso e reconfortante
puxão nas cordas de seu coração que Ele está lá com
toda a certeza.

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