1 João 2.1; 2; Éfeso 1.6; 7; Apocalipse 5.8-10; Introdução:; I. A Realidade do
Pecado; II. O Perdão ao Nosso Alcance; III. A Satisfação da Justiça Divina; IV.
Livres do Pecado; Conclusão:; Palavras-chave: Perdão; propiciação; Introdução;
Professor; é impossível pensar num cristianismo sem a cruz; sem o sacrifício de
Jesus. Nesta lição veremos o que o Senhor Jesus realizou em favor da humanidade
perdia (Jo 3.15). Cristo morreu e ressuscitou ao terceiro dia para que
tivéssemos vida. Ele pagou a nossa dívida; perdoando nossos pecados. Todavia; a
certeza do perdão não é um incentivo ao pecado; mas justamente ao contrário.;
I. Entendendo a Carta de João; o Apóstolo; Professor; dê inicio a este tópico
fazendo a seguinte pergunta: “O que é pecado?” (R: Na Bíblia; o sentido-chave
de pecado é “errar o alvo”.) Explique que o pecado é o fracasso em viver de
acordo com os padrões de Deus. Ninguém é capaz de cumprir todas as leis do
Senhor o tempo todo (Rm 3.23). Todos nós ficamos aquém do padrão infinitamente
perfeito do Senhor.; Jesus ensinou muita coisa a respeito do pecado humano. Na
verdade; Ele pinta um retrato desolador dessa difícil situação humana. Jesus
ensinou que; desde a Queda; todo homem e toda a mulher são perversos (Mt 12.34)
e capazes de fazer grandes maldades (Mc 7.20-23). Além disso; disse que o homem
está totalmente perdido (Lc 19.10); que é pecador (Lc 15.10) e que precisa se
arrepender diante do Deus santo (Mc 1.15) e nascer de novo (Jo 3.3; 5; 7).;
Muitas vezes Jesus falou do pecado por metáfora a fim de ilustrar a destruição
que ele pode trazer para a vida da pessoa. Ele descreveu o pecado como cegueira
(Mt 23.16-26); doença (Mt 9.12); escravidão (Jo 8.34) e trevas (Jo 12.35-46).;
[...] Precisamos de uma cura ou remédio poderoso; pois o pecado humano é um
problema terrível. A doença do homem não será curada com nenhum “curativo”
espiritual. Como logo veremos; o remédio é Jesus Cristo.; Algumas pessoas;
principalmente os católicos romanos; fazem distinção entre pecados mortais
(pecados irreconciliáveis) e pecados venais (pecados menores). O problema com
essa forma de percepção é que se a pessoa pensa que a maioria de seus pecados é
venial; talvez pense que; em essência; é uma boa pessoa. Ela talvez não perceba
a terrível necessidade que tem de um Salvador.; A Bíblia não faz distinção
entre pecados mortais e veniais. De fato; alguns pecados são piores que outros
(Pv 6.16-19); contudo as Escrituras nunca declaram que apenas certos tipos de
pecados levam à morte espiritual. Todos os pecados trazem morte espiritual não
apenas uma determinada categoria de pecados (Rm 3.23). Podemos dizer que
qualquer pecado é mortal; pois traz morte espiritual e afastamento de Deus.
Como veremos; até mesmo o pecado menor nos torna legalmente culpados diante do
Senhor e merecedores da pena de morte (Rm 6.23).; II. Conhecendo o Autor da
Carta; Professor; dê inicio ao segundo tópico fazendo as seguintes perguntas:
“A garantia do perdão em Cristo realmente leva à santidade?” “Não seria o
contrário?” “Se sabemos que estamos perdoados de antemão; não nos sentimos
livres para pecar?” (R: Explique que o conhecimento do amor de Deus e do seu
perdão imerecido torna o cristão profundamente desejoso de não pecar contra
eles.); [...] O princípio de 1 João 2.1; 2: perdão de antemão para qualquer
pecado que pode ocorrer em nossas vidas. Essa é a promessa de Deus que nos é
dada para que não pequemos. Deus não fica chocado com o comportamento humano;
como ficamos com frequência; pois Ele vê tudo de antemão; incluindo os pecados
dos cristãos. Mais ainda; e apesar disso; Ele nos enviou seu Filho para morrer
pelos pecados de seu povo a fim de que possa haver perdão total. Esse amor é
incomparável. Tal graça fica além da compreensão. Mas Deus nos fala sobre esse
amor e essa graça para que possamos vencer por eles e determinar; dando-nos
Deus a força; que não vamos falhar com Ele.; Às vezes falhamos com Ele; apesar
de sua garantia de perdão. E então? Nesse caso; diz João; devemos ir a Deus
para confessar o pecado e buscar perdão; sabendo que somos capazes de chegar a
Ele por meio da obra de Cristo; como os filhos se aproximam de um pai. Nessa
declaração; as referências à purificação por meio do sangue de Cristo (1.7); à
promessa de perdão e purificação para aqueles que confessarem seus pecados
(1.9); e à chamada à santidade (2.1; 2) estão juntas.; III. O Propósito da
Carta de João; • Professor; pergunte aos seus alunos: “Se o crente vier a
falhar; o que ele deve fazer?”; A obra de Cristo é a base sobre a qual o
cristão pode se aproximar de Deus em busca de pleno perdão e total purificação.
João usa três termos para descrever isso. O primeiro é “advogado”; ou “alguém
que fala em nossa defesa”. Esse é um termo legal; em grego e em português; mas
em grego; ao contrário do português; a palavra tem um sentido passivo; e não
ativo. Descreve alguém que é chamado para ajudar outros; em particular num
tribunal. É fácil ver; então; como João consegue usar a palavra para Jesus;
pois ele simplesmente quer dizer que Jesus é aquEle que chamamos para nos
ajudar perante o tribunal de Deus.; [...] A palavra advogado não aparece fora
dos escritos de João; mas o ministério de Cristo ao qual se refere ocorre em
muitos lugares. Jesus prometeu a Pedro que iria interceder por ele para que sua
fé não falhasse após ter negado seu Senhor (Lc 22.32). João 17 registra uma
oração com esse mesmo objetivo em favor de todos os crentes. Jesus declarou: “E
digo-vos que todo aquele que me confessar diante dos anjos de Deus” (Lc 12.8).
Paulo descreve Jesus como sendo aquEle que “Quem os condenará? Pois é Cristo
quem morreu ou; antes; quem ressuscitou dentre os mortos; o qual está à direita
de Deus; e também intercede por nós” (Rm 8.34).; Porém; existe uma coisa que
deve ser percebida no uso feito por João da palavra “advogado”. Quando o termo
é usado no sentido legal nos dias de hoje; normalmente pensamos sobre o
trabalho de um advogado ao acrescentar todo caso a respeito do réu: ou seja; ao
defender o acusado a respeito dos méritos de seu caso. Em João; a ideia de mérito
da parte do acusado é ausente; em vez disso; o mérito vem da parte do advogado.
A antiga ideia é ilustrada pelo uso de um termo do antigo tratado rabínico
Pirke Aboth: “Aquele que segue a lei ganha para si um advogado; e aquele que
comete uma transgressão ganha para si um acusador” (4.13). No Novo Testamento;
é inteiramente uma questão da graça de Deus.; IV. Livres do Pecado; João chama
Jesus de “propriciação pelos nossos pecados”; acrescentando “e não somente
pelos nossos; mas também pelos de todo o mundo”. A palavra propiciação era
utilizada extensivamente em antigos escritos pagãos para referir-se a oferendas
dadas a um deus raivoso de modo a aplicar a sua ira. Mas isso é incompatível
com o caráter do Deus cristão; dizem alguns acadêmicos. Deus não é um Deus
raivoso; de acordo com a revelação cristã. Ele é gracioso e amoroso. Mais
ainda; não é Deus quem fica separado de nós por causa do nosso pecado; mas sim
nós que nos separamos de Deus. Ou; ainda; não é Ele que tem de ser propiciado;
mas nós mesmos. De acordo com esse pensamento; devemos nos referir à
propiciação não como aquilo que Jesus fez com relação a Deus; com o que foi
feito por Deus em Cristo pela nossa culpa. Ela foi “coberta”; “desinfectada” ou
“expiada” por sua morte. Assim; por essa visão; a Bíblia nunca faz de Deus o
objeto da propiciação.; Mas isso não é tudo. Em primeiro lugar; mesmo sendo
verdade que não podemos misturar o conceito cristão de Deus com o caráter
petulante de deidades do mundo antigo; ao mesmo tempo também não podemos esquecer
sua justa ira contra o pecado; de acordo com a qual ele será punido; seja em
Cristo ou na pessoa do pecador. Aqui; todo o âmbito da revelação bíblica
precisa ser levado em consideração.; Segundo; embora a palavra propiciação seja
utilizada nos escritos bíblicos; não é usada exatamente com o mesmo sentido que
nos escritos pagãos. Nos rituais pagãos o sacrifício era o meio pelo qual um
homem aplacava um deus ofendido. No cristianismo nunca é um homem que toma a
iniciativa ou faz o sacrifício; mas o próprio Deus que; em virtude do seu
imenso amor pelo pecador; providencia o meio pelo qual a sua própria ira contra
o pecado possa ser aplacada. Em 1 João 4.10; a única outra passagem do Novo
Testamento que usa exatamente a mesma forma da palavra encontrada em 2.2; o
amor de Deus é enfatizado. Essa é a verdadeira explicação para que Deus nunca
seja o objeto explícito da propriciação nos escritos bíblicos. Ele não é o
objeto porque é; o que é mais importante ainda; o sujeito. Em outras palavras;
Deus aplaca a sua própria ira contra o pecado para que seu amor possa abraçar e
salvar totalmente o pecador.; É no sistema sacrificial do Antigo Testamento que
a ideia verdadeira da propiciação é observada mais claramente; pois se alguma
coisa é estabelecida pelo sistema de sacrifícios (no sentido bíblico do
sacrifício); é que o próprio Deus forneceu o meio pelo qual um pecador pode se
aproximar dEle. Pecado significa morte. “Eis que todas as almas são minhas;
como a alma do pai; também a alma do filho é minha; a alma que pecar; essa
morrerá. [...] A alma que pecar; essa morrerá; o filho não levará a maldade do
pai; nem o pai levará a maldade do filho; a justiça do justo ficará sobre ele;
e a impiedade do ímpio cairá sobre ele” (Ez 18.4; 20). Todavia os sacrifícios
ensinam que existe um modo de escapar e de aproximar de Deus. Outra pessoa pode
morrer no lugar do pecador. Isso pode parecer impressionante; e até mesmo (como
alguns sugeriram erroneamente) imoral; mas é isso o que o sistema de
sacrifícios ensina. Como consequência; o indivíduo israelita era instruído a
levar o animal para o sacrifício sempre que se aproximasse de Deus; a família
tinha que matar e consumir um animal na observância anual da Páscoa; a nação
tinha que ser apresentada pelo sumo sacerdote anualmente no Dia do Perdão;
quando sangue era aspergido sobre o trono de misericórdia da Arca da Aliança
dentro do Santo dos Santos no templo judaico. Essa última cerimônia pode ser no
que João está pensando nessa passagem. É bom lembrar que João referiu-se ao
derramar do sangue de Cristo poucos versículos antes (1.7).; O próprio Jesus é
a propiciação; então; é pela virtude de seu ser que Ele pode ser nosso
advogado. “Nosso advogado não alega nossa inocência; ele reconhece nossa culpa
e apresenta o seu sacrifício vicário como a base para nossa absolvição”. Aqui
repousa a confiança do cristão; pois não é com base em nosso mérito; mas com
base apenas na obra completa de Cristo que temos a ousadia de nos aproximar de
um Pai reto e celestial.; Conclusão; Se Jesus fez tanto por nós; e não por nós;
mas também por homens e mulheres espalhados por todo o mundo; e se isso
naturalmente nos leva a louvá-lo; será que isso também não nos deveria levar à
santidade? Não deveria nos impelir a cumprir o desejo de João de que seus
filhos não pecassem? Claro que sim; hoje e sempre. De fato; deveríamos dizer
como Paulo: “Porque o amor de Cristo nos constrange; julgando nós assim: que;
se um morreu por todos; logo; todos morreram. E ele morreu por todos; para que
os que vivem não vivam mais para si; mas para aquele que por eles morreu e
ressuscitou” (2 Co 5.14; 15).
Entendendo a Carta de João, o Apóstolo
Jesus ensinou muita coisa a respeito do pecado humano. Na
verdade, Ele pinta um retrato desolador dessa difícil situação humana. Jesus
ensinou que, desde a Queda, todo homem e toda a mulher são perversos (Mt 12.34)
e capazes de fazer grandes maldades (Mc 7.20-23). Além disso, disse que o homem
está totalmente perdido (Lc 19.10), que é pecador (Lc 15.10) e que precisa se
arrepender diante do Deus santo (Mc 1.15) e nascer de novo (Jo 3.3,
5,7).
Muitas vezes Jesus falou do pecado
por metáfora a fim de ilustrar a destruição que ele pode trazer para a vida da
pessoa. Ele descreveu o pecado como cegueira (Mt 23.16-26), doença (Mt 9.12),
escravidão (Jo 8.34) e trevas (Jo 12.35-46).
[...] Precisamos de uma cura ou
remédio poderoso, pois o pecado humano é um problema terrível. A doença do
homem não será curada com nenhum “curativo” espiritual. Como logo veremos, o remédio é Jesus
Cristo.
Algumas pessoas, principalmente os
católicos romanos, fazem distinção entre pecados mortais (pecados
irreconciliáveis) e pecados venais (pecados menores). O problema com essa forma
de percepção é que se a pessoa pensa que a maioria de seus pecados é venial,
talvez pense que, em essência, é uma boa pessoa. Ela talvez não perceba a
terrível necessidade que tem de um Salvador.
A Bíblia não faz distinção entre
pecados mortais e veniais. De fato, alguns pecados são piores que outros (Pv
6.16-19), contudo as Escrituras nunca declaram que apenas certos tipos de
pecados levam à morte espiritual. Todos os pecados trazem morte espiritual não
apenas uma determinada categoria de pecados (Rm 3.23). Podemos dizer que
qualquer pecado é mortal, pois traz morte espiritual e afastamento de Deus.
Como veremos, até mesmo o pecado menor nos torna legalmente culpados diante do
Senhor e merecedores da pena de morte (Rm 6.23).
Autor da Carta
O princípio de 1 João 2.1,2: perdão de antemão para qualquer
pecado que pode ocorrer em nossas vidas. Essa é a promessa de Deus que nos é
dada para que não pequemos. Deus não fica chocado com o comportamento humano,
como ficamos com frequência, pois Ele vê tudo de antemão, incluindo os pecados
dos cristãos. Mais ainda, e apesar disso, Ele nos enviou seu Filho para morrer
pelos pecados de seu povo a fim de que possa haver perdão total. Esse amor é
incomparável. Tal graça fica além da compreensão. Mas Deus nos fala sobre esse
amor e essa graça para que possamos vencer por eles e determinar, dando-nos
Deus a força, que não vamos falhar com Ele.
Às vezes falhamos com Ele, apesar de
sua garantia de perdão. E então? Nesse caso, diz João, devemos ir a Deus para
confessar o pecado e buscar perdão, sabendo que somos capazes de chegar a Ele
por meio da obra de Cristo, como os filhos se aproximam de um pai. Nessa declaração, as referências à
purificação por meio do sangue de Cristo (1.7), à promessa de perdão e purificação
para aqueles que confessarem seus pecados (1.9), e à chamada à santidade
(2.1,2) estão juntas.
O Propósito da Carta de João
• Professor, pergunte aos seus
alunos: “Se o crente vier a falhar, o que ele deve fazer?”
A obra de Cristo é a base sobre a
qual o cristão pode se aproximar de Deus em busca de pleno perdão e total
purificação. João usa três termos para descrever isso. O primeiro é “advogado”,
ou “alguém que fala em nossa defesa”. Esse é um termo legal, em grego e em
português; mas em grego, ao contrário do português, a palavra tem um sentido
passivo, e não ativo. Descreve alguém que é chamado para ajudar outros, em
particular num tribunal. É fácil ver, então, como João consegue usar a palavra
para Jesus; pois ele simplesmente quer dizer que Jesus é aquEle que chamamos
para nos ajudar perante o tribunal de Deus.
[...] A palavra advogado não aparece
fora dos escritos de João, mas o ministério de Cristo ao qual se refere ocorre
em muitos lugares. Jesus prometeu a Pedro que iria interceder por ele para que
sua fé não falhasse após ter negado seu Senhor (Lc 22.32). João 17 registra uma
oração com esse mesmo objetivo em favor de todos os crentes. Jesus declarou: “E
digo-vos que todo aquele que me confessar diante dos anjos de Deus” (Lc
12.8). Paulo descreve Jesus
como sendo aquEle que “Quem os condenará? Pois é Cristo quem morreu ou, antes,
quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também
intercede por nós” (Rm 8.34).
Porém, existe uma coisa que deve ser
percebida no uso feito por João da palavra “advogado”. Quando o termo é usado
no sentido legal nos dias de hoje, normalmente pensamos sobre o trabalho de um
advogado ao acrescentar todo caso a respeito do réu: ou seja, ao defender o
acusado a respeito dos méritos de seu caso. Em João, a ideia de mérito da parte
do acusado é ausente; em vez disso, o mérito vem da parte do advogado. A antiga
ideia é ilustrada pelo uso de um termo do antigo tratado rabínico Pirke Aboth:
“Aquele que segue a lei ganha para si um advogado, e aquele que comete uma
transgressão ganha para si um acusador” (4.13). No Novo Testamento, é
inteiramente uma questão da graça de Deus.
IV. Livres do Pecado
João chama Jesus de “propriciação
pelos nossos pecados”, acrescentando “e não somente pelos nossos, mas também
pelos de todo o mundo”. A palavra propiciação era utilizada extensivamente em
antigos escritos pagãos para referir-se a oferendas dadas a um deus raivoso de
modo a aplicar a sua ira. Mas isso é incompatível com o caráter do Deus
cristão, dizem alguns acadêmicos. Deus não é um Deus raivoso, de acordo com a
revelação cristã. Ele é gracioso e amoroso. Mais ainda, não é Deus quem fica
separado de nós por causa do nosso pecado, mas sim nós que nos separamos de
Deus. Ou, ainda, não é Ele que tem de ser propiciado, mas nós mesmos. De acordo
com esse pensamento, devemos nos referir à propiciação não como aquilo que
Jesus fez com relação a Deus, com o que foi feito por Deus em Cristo pela nossa
culpa. Ela foi “coberta”, “desinfectada” ou “expiada” por sua morte. Assim, por
essa visão, a Bíblia nunca faz de Deus o objeto da propiciação.
Mas isso não é tudo. Em primeiro
lugar, mesmo sendo verdade que não podemos misturar o conceito cristão de Deus
com o caráter petulante de deidades do mundo antigo, ao mesmo tempo também não
podemos esquecer sua justa ira contra o pecado, de acordo com a qual ele será
punido, seja em Cristo ou na pessoa do pecador. Aqui, todo o âmbito da
revelação bíblica precisa ser levado em consideração.
Segundo, embora a palavra
propiciação seja utilizada nos escritos bíblicos, não é usada exatamente com o
mesmo sentido que nos escritos pagãos. Nos rituais pagãos o sacrifício era o
meio pelo qual um homem aplacava um deus ofendido. No cristianismo nunca é um
homem que toma a iniciativa ou faz o sacrifício, mas o próprio Deus que, em
virtude do seu imenso amor pelo pecador, providencia o meio pelo qual a sua
própria ira contra o pecado possa ser aplacada. Em 1 João 4.10, a única outra
passagem do Novo Testamento que usa exatamente a mesma forma da palavra
encontrada em 2.2, o amor de Deus é enfatizado. Essa é a verdadeira explicação
para que Deus nunca seja o objeto explícito da propriciação nos escritos
bíblicos. Ele não é o objeto porque é, o que é mais importante ainda, o
sujeito. Em outras palavras, Deus aplaca a sua própria ira contra o pecado para
que seu amor possa abraçar e salvar totalmente o pecador.
É no sistema sacrificial do Antigo
Testamento que a ideia verdadeira da propiciação é observada mais claramente,
pois se alguma coisa é estabelecida pelo sistema de sacrifícios (no sentido
bíblico do sacrifício), é que o próprio Deus forneceu o meio pelo qual um
pecador pode se aproximar dEle. Pecado significa morte. “Eis que todas as almas
são minhas; como a alma do pai, também a alma do filho é minha; a alma que
pecar, essa morrerá. [...] A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a
maldade do pai, nem o pai levará a maldade do filho; a justiça do justo ficará
sobre ele, e a impiedade do ímpio cairá sobre ele” (Ez 18.4,20). Todavia os
sacrifícios ensinam que existe um modo de escapar e de aproximar de Deus. Outra pessoa pode morrer no lugar do
pecador. Isso pode parecer impressionante, e até mesmo (como alguns sugeriram
erroneamente) imoral; mas é isso o que o sistema de sacrifícios ensina. Como
consequência, o indivíduo israelita era instruído a levar o animal para o
sacrifício sempre que se aproximasse de Deus; a família tinha que matar e
consumir um animal na observância anual da Páscoa; a nação tinha que ser
apresentada pelo sumo sacerdote anualmente no Dia do Perdão, quando sangue era
aspergido sobre o trono de misericórdia da Arca da Aliança dentro do Santo dos
Santos no templo judaico. Essa última cerimônia pode ser no que João está
pensando nessa passagem. É bom lembrar que João referiu-se ao derramar do
sangue de Cristo poucos versículos antes (1.7).
O próprio Jesus é a propiciação,
então, é pela virtude de seu ser que Ele pode ser nosso advogado. “Nosso
advogado não alega nossa inocência; ele reconhece nossa culpa e apresenta o seu
sacrifício vicário como a base para nossa absolvição”. Aqui repousa a confiança
do cristão, pois não é com base em nosso mérito, mas com base apenas na obra
completa de Cristo que temos a ousadia de nos aproximar de um Pai reto e
celestial.
Conclusão
Se Jesus fez tanto por nós, e não por nós, mas também por homens
e mulheres espalhados por todo o mundo, e se isso naturalmente nos leva a louvá-lo, será que isso também
não nos deveria levar à santidade? Não deveria nos impelir a cumprir o desejo
de João de que seus filhos não pecassem? Claro que sim, hoje e sempre. De fato,
deveríamos dizer como Paulo: “Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós
assim: que, se um morreu por todos, logo, todos morreram. E ele morreu por
todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por
eles morreu e ressuscitou” (2 Co 5.14,15).
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